Rotenona em Modelos de Epilepsia Resistente a Medicamentos: Ferramenta Poderosa ou Paradigma Problemático?

A pesquisa em Neuroquímica. 2026 jun 12;51(3):193. doi: 10.1007/s11064-026-04816-5.

RESUMO

O paradigma de kindling adjuvante de rotenona replica características clínicas-chave da epilepsia resistente a fármacos (ERF), incluindo farmacorresistência de amplo espectro, neuroinflamação e estresse oxidativo, combinando a inibição do complexo I mitocondrial com penteilenotetrazol (PTZ) ou kindling corneal. O PTZ, um antagonista do receptor GABAA, induz convulsões ao reduzir a neurotransmissão inibitória e é amplamente utilizado para modelar o kindling e a susceptibilidade a convulsões; nesse paradigma, sua dosagem subconvulsiva repetida facilita a epileptogênese progressiva e aumenta a hiperexcitabilidade da rede. A ativação microglial induzida pela rotenona e a disfunção mitocondrial potencializam ainda mais a sensibilidade ao PTZ, limitando a penetração e eficácia de fármacos anticonvulsivantes ao promover a liberação de citocinas, perturbar a barreira hematoencefálica e superexpressar transportadores de efluxo. Em comparação com modelos tradicionais de ERF, a validade construtiva, de face e preditiva desses paradigmas é fortalecida pela recapitulação de comorbidades neuropsiquiátricas e convulsões recorrentes espontâneas. Achados comparativos sugerem maior relevância clínica e melhor adequação para avaliar terapias baseadas em mecanismos visando disfunção mitocondrial, desequilíbrio GABAérgico e sinalização inflamatória; no entanto, preocupações sobre toxicidade sistêmica, mortalidade e variabilidade interanimal permanecem como limitações importantes. Em geral, o modelo de kindling PTZ adjuvante de rotenona representa uma plataforma translacional promissora, embora imperfeita, para o desenvolvimento de novas terapias para ERF.

PMID: 42283792 | DOI: 10.1007/s11064-026-04816-5

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