CVIR Endovasc. 2026 Jun 12;9(1):69. doi: 10.1186/s42155-026-00719-2.
RESUMO
ANTECEDENTES: A embolização da artéria uterina (EAU) é um tratamento minimamente invasivo e preservador do útero para fibromas uterinos sintomáticos, com baixo índice de infecção, sendo que as infecções pós-procedimento geralmente são confinadas à pelve. Infecções profundas extra-pélvicas são excepcionalmente raras. Descrevemos um caso incomum de espondilodiscite lombossacral tardia após uma embolização uterina aparentemente não complicada.
APRESENTAÇÃO DO CASO: Uma mulher de 30 anos com fibromas uterinos sintomáticos foi submetida a EAU bilateral. A embolização foi realizada com microesferas de 700-900 μm até estase angiográfica, com bloqueio do nervo hipogástrico superior (SHNB) adjunto para analgesia por meio de uma abordagem anterossuprapúbica. A recuperação ocorreu inicialmente sem intercorrências; no entanto, uma nova dor lombar surgiu aproximadamente 1 semana após o procedimento. No dia 20, os marcadores inflamatórios estavam levemente elevados com contagem normal de leucócitos, e a ressonância magnética lombar (RML) não demonstrou anormalidade. Apesar do tratamento conservador, a dor piorou progressivamente com limitação funcional. A RML de repetição às 7 semanas revelou espondilodiscite L5-S1. Após terapia com antibióticos, a RML de acompanhamento às 11 semanas mostrou progressão com formação de abscesso, levando ao encaminhamento para neurocirurgia para a continuação do tratamento.
CONCLUSÃO: Dor persistente ou progressiva nas costas após a EAU, especialmente quando os marcadores inflamatórios aumentam, requer reavaliação e consideração de espondilodiscite. A RML precoce pode ser normal; a repetição da RML é apropriada quando os sintomas persistem ou pioram. Este caso destaca a espondilodiscite como uma complicação rara, porém grave, no cenário do procedimento, sendo o SHNB um possível mecanismo contribuinte.
PMID: 42283797 | DOI: 10.1186/s42155-026-00719-2
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