Ollier e Monroe: uma nova teoria para entender os tumores portadores da mutação IDH em pacientes com OD-MS. Propomos refinar nossa compreensão da fisiopatologia subjacente ao espectro de tumores observado em pacientes com a doença de Ollier (OD) e síndrome de Maffucci (MS). Por um lado, assumindo que todos os tumores mutados por IDH (bem como os encondromas) observados em pacientes OD-MS derivem de uma célula mutante de IDH dando origem a diferentes linhagens, a observação de diferentes tumores surgindo em órgãos derivados do neuroectoderma, mesoderma e endoderma aponta para um evento pós-zigótico muito precoce para a mutação IDH. Para explicar então que o espectro de tumores mutados por IDH é restrito a alguns tipos de tumores, propomos a seguinte hipótese: – Primeiro, pressupomos que nem toda célula mutada da linhagem irá “expressar” o fenótipo mutante de IDH. Isso pode se dever i/ ao desaparecimento em algum tecido do clone mutante de IDH devido à pressão de seleção negativa mais tarde no desenvolvimento do embrião ii/ à ausência de expressão da proteína IDH1 em tipos celulares específicos iii/ a um estado celular funcional que não leva ao acúmulo do oncometabolito D-2-hidroxiglutarato (D-2HG) naquele tecido/órgão. – Segundo, generalizando a recente compreensão da gliomagênese na população geral portadora da variante do alelo G rs55705857 em 8q24.21, postulamos que pacientes OD-MS com um polimorfismo de nucleotídeo único (SNP) predisponente hereditário são mais propensos a desenvolver uma malignidade, com um SNP específico para cada tipo de tumor/órgão. Em resumo, nossa teoria oferece uma nova compreensão dos tumores mutados por IDH em pacientes OD-MS, surgindo da interação tripla dentro da mesma célula de um defeito de desenvolvimento (a mutação somática que ocorre cedo durante a embriogênese), um estado funcional específico do órgão “expressando” a mutação de IDH e levando ao acúmulo de D-2HG, e um fator predisponente hereditário (um SNP de risco, também específico para cada órgão). Discutimos como essa teoria poderia orientar pesquisas futuras em pacientes OD-MS e, mais geralmente, em pacientes portadores de tumores mutados por IDH esporádicos.
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