Cresce no mundo o mercado de exames preventivos de corpo inteiro com inteligência artificial. Empresas como Neko Health, Prenuvo e Ezra captam altos investimentos e atraem filas de espera — a Neko, cujo escaneamento fotografa a pele com dezenas de câmeras e cria um avatar 3D, tem 100 mil pessoas aguardando. A proposta é rastrear, de uma só vez, sinais de câncer de pele, doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2, glaucoma e distúrbios renais e sanguíneos em pessoas assintomáticas.
A indústria se apresenta como uma nova fronteira da prevenção, mas boa parte da comunidade médica é cética. Os dois lados aparecem nos relatos:
A favor: entre 4.362 exames de uma unidade, 1,2% detectaram doenças potencialmente fatais (como melanoma e leucemia), e há casos de diagnósticos precoces que “salvaram vidas”, como o de uma diabetes autoimune (LADA) sem sintomas;
Contra: falhas também ocorrem (lesões de pele não detectadas pela IA) e muitos achados incidentais geram exames adicionais e ansiedade sem necessidade de tratamento;
O ceticismo institucional: entidades como o Royal College of GPs afirmam não haver “evidências convincentes” de que rastreios privados em larga escala melhorem desfechos, e alertam para o risco de sobrediagnóstico.
Para os críticos, os programas nacionais de rastreamento, focados em áreas específicas, como mama, intestino e colo do útero, tendem a ser mais confiáveis do que uma varredura de corpo inteiro. No Brasil, o escaneamento corporal ainda é voltado sobretudo à estética, ao emagrecimento e à performance esportiva, e não à medicina preventiva. O debate de fundo permanece: como equilibrar a promessa da detecção precoce com o custo dos falsos positivos e da ansiedade evitável.
Para conhecer os relatos e o debate sobre esses exames, confira a matéria completa aqui:
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