Uma pesquisa publicada na revista Cell identificou um conjunto de 14 proteínas no sangue que, combinadas, funcionam como uma assinatura biológica do risco de câncer de pulmão — capaz de sinalizar a predisposição com até cinco anos de antecedência ao diagnóstico. O trabalho reuniu mais de cem cientistas, sob liderança de Charles Swanton, do Francis Crick Institute (Reino Unido).
Para chegar às 14 proteínas, os pesquisadores aplicaram um algoritmo de inteligência artificial a quase 3 mil proteínas de amostras do Biobanco do Reino Unido, colhidas anos antes de qualquer diagnóstico. Somadas à idade, ao histórico de tabagismo e à presença de DPOC, essas proteínas previram quem desenvolveria a doença com mais precisão do que os modelos de risco usados hoje, padrão confirmado em outras oito populações (EUA, China e Islândia), somando mais de 55 mil pessoas.
Segundo o oncologista Stephen Stefani (Oncoclínicas), a assinatura não fotografa o tumor, e sim o “solo” onde ele pode surgir: um estado de inflamação, reparo tecidual e resposta a danos acumulados. Isso ajuda a explicar por que alguns fumantes de longa data não adoecem, enquanto pessoas que nunca fumaram desenvolvem a doença — o que pesa não é só a exposição ao gatilho (cigarro, poluição), mas se ele aciona essa resposta inflamatória específica. Em modelos animais e culturas de células, a poluição apareceu como um gatilho importante desse processo.
Na prática, o achado pode ampliar o radar do rastreamento, hoje concentrado em tomografia de tórax anual para fumantes de 50 a 80 anos e que deixa de fora quem nunca fumou — grupo crescente, sobretudo nos casos ligados a mutações no gene EGFR. Os próprios autores, porém, pedem cautela: a assinatura ainda não existe como exame de laboratório e precisará de anos de validação; um resultado baixo não significa risco zero nem autoriza manter o tabagismo.
Para entender como a assinatura de 14 proteínas foi construída e seus limites, confira a matéria completa aqui:
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