Aos amadores: A miocardiopatia hipertrófica (MCH) é uma das doenças cardíacas genéticas mais comuns em todo o mundo. A cardiomiopatia é caracterizada por um espessamento do VE que não está dilatado e frequentemente causa dispneia ao esforço e capacidade reduzida de exercício!
Pois bem, a obstrução do trato de saída do ventrículo esquerdo, resultante do contato da válvula mitral com o septoventricular durante a sístole, é um dos principais determinantes das complicações relacionadas à MCH e, portanto, é um alvo importante para a terapia.
As terapias invasivas para MCH obstrutiva, como a miectomia cirúrgica e a ablação septal alcoólica percutânea, são eficazes na redução dos gradientes do trato de saída do ventrículo esquerdo. No entanto, estão associados a riscos! Além disso, a destreza desse procedimento é tamanha, limitados a centros de alto volume.
- Essas terapias não demonstraram aumentar medidas objetivas de capacidade de exercício e foram associadas a efeitos colaterais que impedem seu uso em alguns pacientes.
Portanto, drogas que sejam seguras e melhorem de forma confiável como os pacientes se sentem e funcionam, com efeitos colaterais mínimos, continuam sendo uma necessidade não atendida no tratamento dessa doença.
Aficamten
Escrito dessa forma mesmo, aparentemente sem tradução para o portugês ainda, é o nome do novo medicamento que pode promover melhora aos pacientes com cardiomiopatia hipertrófica.
É um inibidor reversível de miosina cardíaca que reduz a contratilidade do ventrículo esquerdo ao diminuir o número de pontes cruzadas actina-miosina ativas dentro do sarcômero.
O ensaio clínico randomizado que trazemos, publicado na NEJM, foi conduzido para avaliar a eficácia e a segurança do aficamten em pacientes adultos com MCH obstrutiva sintomática.
Metodologia
Trata-se de um ensaio clínico de fase 3, duplo-cego, na qual adultos com MCH obstrutiva sintomática receberam placebo ou aficamten por 24 semanas, com ajuste de dose baseado nos resultados da ecocardiografia.
O desfecho primário foi a mudança desde o início até a semana 24 no pico de consumo de oxigênio, avaliado por teste de exercício cardiopulmonar.
Muitos outros desfechos secundários foram incluídos, como a avaliação da dispneia pela NYHA (aquela mesma da DPOC), mudança no gradiente de pressão após manobra de Valsalva, entre muitos outros.
Resultados
A divisão dos grupos foi de 142 pacientes no grupo tratamento e 140 no grupo placebo.
- Quanto ao desfecho primário, houve uma mudança de 1,8 ml/kg/min no pico de consumo de oxigênio no grupo aficamten, contra 0,0 de mudança no grupo placebo. (P < 0,001)
Quanto aos resultados para todos os desfechos secundários, o grupo que recebeu aficamten teve uma melhora significativamente maior em comparação ao placebo. Por fim, a incidência de eventos adversos foi semelhante aos dois grupos.
Pode-se concluir de que o estudo é bom e apresenta uma boa significância estatística. Vem aí o Aficamten para ficar?
Respostas